A ARTE DA (CO)CRIAÇÃO (excerto divertido)

A ARTE DA (CO)CRIAÇÃO — Este é o livro estrelado pela famigerada Don’Abília. Se os portugueses vivem infelizes, é porque ainda não leram esta obra fundamental. Para te fazer feliz (divertindo-te) aqui tens eis um excerto:

Qualquer ser humano, como a senhora (Don’Abília) e eu (Vitorino de Sousa), acaba sempre por passar, agora ou depois, por provações, crises, desafios, testes, etc. Ninguém gosta dessas experiências, evidentemente, por causa do sofrimento que lhes está associado, que pode ser intenso. Foi o que lhe aconteceu com aquela senhora, que viveu consigo, cujo nome não cito para lhe evitar o retorno da náuseas.

E já é a segunda vez que sou abandonada! A primeira foi com o meu Américo, o pai da minha filha, que me abandonou sem dizer água vai. Esse não fugiu com ninguém; o que lhe fugiu foi o pé do andaime do prédio que estava a construir e caiu do 4ª andar. Bateu com a cabeça num monte de cascalho e ali ficou. Que Deus o tenha!

Deus não o tem com certeza, porque Deus não guarda ninguém. Primeiro, porque não é polícia nem guarda noturno; segundo, porque, mesmo que fosse, seria incapaz de guardar todos os que já morreram desde que há gente neste planeta. Quintiliões! Muitos! Uma data deles! Impossível! Essa expressão que a senhora usou, decorre de nós acharmos que “em cima é como em baixo”, já que nós nos guardamos uns aos outros, embora nem sempre da melhor maneira. Não é “em cima é como em baixo”. Mas também não é “em baixo é como em cima”, porque não consta que as gentes dos andares superiores se comportem da forma alucinada como nós nos comportamos aqui na cave 3. Nenhuma das partes espelha a outra. O que está em baixo deveria espelhar o que está em cima, é certo. A verdade é que muita gente sempre se empenhou em boicotar essa possibilidade.

Não percebi nadinha do que o Sr. Vitorino acabou de dizer…